quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O novo som que surge no cerrado

A mistura feita pelo MC Rapadura ajuda a consolidar a nova cara do rap produzido no DF


Brasília durante muitos anos foi considerada a capital do rock brasileiro. Grandes nomes do cenário artístico nacional começaram por aqui e ganharam o mundo. Os tempos mudaram, os ritmos também. Brasília é hoje a capital da diversidade cultural. Não é difícil encontrar grupos de rock, samba, pagode, maracatu, rap, forró, brega, funk e todos os sons possíveis de serem produzidos e ouvidos pelo criativo e empolgante candango brasiliense.

Foi assim que Mc Rapadura, cearense que chegou a Brasília em 1997, descobriu o som que mudaria a sua vida: “o rapente”. Nas palavras do artista, rapente é a mistura do rap com a embolada, o repente, o coco, o maracatu e o baião, som que só ele faz.

Francisco Igor Almeida dos Santos, o Rapadura, conta que seu nome veio da brincadeira com os amigos. O garoto sempre comia o doce nordestino para ter mais “sustança” nas peladas que jogava nos campos de Planaltina. O apelido pegou e hoje é o nome de um dos Mc’s mais criativos e respeitados do país. O som é forte e cheio de influências da cultura popular. Um verdadeiro e envolvente resgate das raízes brasileiras.

Quando começou a fazer rap, as coisas eram mais difíceis. Além das dificuldades com produção e divulgação, Rapadura enfrentou a desconfiança dos pais, que não gostavam de rap. A inspiração chegou por necessidade quando decidiu fazer uma coisa diferente, uma música que pudesse cantar e seus pais gostassem de ouvir. Comprou alguns discos de baião e começou a ouvir em casa. “Escrevi uma música em cima de uma canção de Luiz Gonzaga. Peguei um pequeno trecho de sanfona, meti umas batidas em cima e escrevi uma canção, chamada Amor Popular, falando sobre a nossa cultura nordestina. Mostrei aos meus pais e logo vi a diferença, eles me elogiaram muito e nem acreditaram que aquilo fosse possível! Acertei na hora”, conta.

Rapadura acredita que existem várias possibilidades dentro do rap nacional. Ele aposta na mistura do rap criativo e crítico. “O importante é não se limitar diante da diversidade que o Brasil tem. Fazer rap nacional é fazer as pessoas pensarem, é fazer as pessoas refletirem e se movimentarem em prol de algo que acreditam. É unir as pessoas e levar coisas boas para elas”, afirma. Rapadura compartilha seu talento e técnica nas oficinas de rap, repente e produção musical que dá nas periferias do DF para jovens que não tem condições de pagar o curso num estúdio.“Muitas pessoas já me disseram que passaram a gostar de rap a partir das minhas músicas. Alguns Mc’s, s nordestinos começaram a dar mais valor às nossas raízes ouvindo o meu som. A música tem que unir as pessoas e não afastar; esse é o maior significado da música que faço hoje”.

Em relação ao cenário do rap hoje, Rapadura é um vanguardista categórico: “Vejo o meu trabalho como um verdadeiro resgate das nossas raízes. O rap nacional hoje está cada vez mais escasso e com influências internacionais. Na maioria das vezes, os grupos preferem buscar referências lá fora a ter que se aprofundarem dentro do seu próprio quintal. Rap nacional é um rap feito com a cara daqui, com as características da nossa terra”, afirma.

Artista independente, Rapadura ficou conhecido em todo o país após a parceria com o rapper brasiliense Gog. Seu próximo trabalho,o CD Fita Embolada do Engenho, terá sete faixas com canções tipicamente nordestinas e será lançado em outubro. “O meu grande objetivo é conscientizar e mostrar o poder que os jovens têm nas mãos. Um MC de verdade não apenas canta, ele age. O MC é porta-voz do seu povo e da cultura.”

No Myspace do Rapadura é possível ouvir três músicas, entre elas Amor Popular, e conferir fotos e um pouco mais da história do MC Rapadura.

domingo, 15 de novembro de 2009

Teatro de Entretenimento para Projeto de Socialização.

Teatro é uma arte em que um ator, ou conjunto de atores, interpretam histórias e vivênciam textos consagrados de dramaturgos amparados por diretores e técnicos, que têm como objetivo despertar sentimentos no público. E, nessa troca de sentimentos que vemos como a arte teatral cada vez mais encanta a todos.
Alem de mexer com os sentimentos das pessoas, as artes cênicas possui seu lado de socialização, que visa levar cidadania, arte e cultura para milhares de pessoas que não tem acesso a esse tipo de entretenimento.
























E é esse trabalho que o grupo Barcaça do Beltranos, Cia de Teatro vem fazendo há sete anos, levando arte e cultura de qualidade a todos os cantos da cidade, facilitando o acesso da população para grandes textos de grandes autores. Criado no ano de 2002 com intuito de entreter estudantes e moradores da cidade de Santa Maria, o grupo tem como diretor desde sua criação até os dias atuais Daniel dos Santos, estudante de artes cênicas pela Universidade de Brasília(UnB). Ao longo desses anos, ele vem fazendo um trabalho com os moradores da cidade e de outras cidades satélites do Distrito Federal, sempre trabalhando o lado cômico e o trágico.




A companhia de teatro Barcaça dos Beltranos tem três focos de trabalho: um filantrópico, voltado para ajuda direta ou indireta aos necessitados nas mais variadas naturezas; um comunicativo, para divulgação; e outro, econômico, que visa custear os gastos, dando assim continuidade aos trabalhos, proporcionando apresentações em teatros do Distrito Federal. Ao longo dos cinco primeiros meses de sua existência, a Barcaça participou do SESC Esquete Show, realizado pelo Teatro Garagem, onde se inscreveram os maiores grupos e atores do cenário candango. O objetivo era primeiramente ganhar visibilidade e, claro, passar para seu elenco a real sensação de se apresentar em um palco, saindo do teórico para a prática. O que muitos não esperavam era que no final da Esquete, o grupo fosse aplaudido de pé pela platéia e júri em uma de suas apresentações.















O primeiro grande trabalho do grupo foi exatamente o espetáculo "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, realizado pela primeira vez, no Teatro da Escola Parque da 308 sul. Foi um dos destaques do caderno cultura do Correio Braziliense. Ganhadora do SESC Esquete Show no ano de 2005, a Barcaça dos Beltranos foi eleita pelo júri popular como melhor esquete com, "O Pátria Amada, Portuguesa ou à Moda da Casa?", que abordou de maneira inteligente e cômica o atual panorama da política brasileira. No mesmo ano de 2005, a companhia apresentou o "Auto da Compadecida" na sala Yara Amaral do Centro Cultural SESI para uma platéia de 500 pessoas, num teatro de apenas 478 lugares.

O carro chefe do ano de 2009 é a peça " O Casamento do Pequeno Burguês", de Bertold Brecht. A peça gira em torno de uma festa de casamento, onde os personagens forçam, cada um ao seu estilo com uma certa falsidade diante de um fato que só no final da peça é revelado. A companhia apresentou a peça no Teatro da Escola Parque da 308 Sul no mês de Maio precisamente nos dias 29, 30 e 31 e nos dias 05, 06 e 07 de Junho.Contando com grande elenco e com a interpretação do próprio Daniel como um dos protagonistas, a peça foi um grande sucesso nesta temporada.



Cenas da peça "O casamento do Pequeno Burguês"











Os ensaios são sempre realizados na Biblioteca de Santa Maria, sempre aos sábados e domingos pela manhã, com atividades sempre voltadas para o mundo do teatro e também para o desenvolvimento do intelecto-social e cultural de seu elenco.








*Elenco da Barcaça dos Beltranos,Cia de Teatro.








quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Agenda - Cinema, música e teatro pra você.

Por Marcos França

CINEMA

O que?

XI Festival Internacional do Cinema de Brasília (XI FIC Brasília)

Quando?

De 4 a 15 de novembro de 2009

Onde?

Academia de Tênis José Farani e Centro Cultural Banco do Brasil

Quanto?

R$ 14 (inteira) / R$ 7 (meia), na Academia de Tênis José Farani
R$ 4 (inteira) / R$ 2 (meia), no Centro Cultural Banco do Brasil

Fala mais!

Em 2009, o festival chega a sua 11ª Edição, a realizar-se no Cine Academia e no CCBB, que este ano é parceiro do evento. Mais uma vez, o FIC trará filmes de todo o mundo, em sua maioria premiados e exibidos nos grandes festivais internacionais, como Berlim, Cannes e outros. Como parte da programação estão previstas palestras com a presença de importantes nomes da produção cultural atual.

Para facilitar ainda mais a sua vida, a equipe do O que fazer na Capital foi atrás e traz aqui a programação completa para você!
Confira nos links:

Programação por dia

Programação por filme

Filmes e sinopses





MÚSICA

O que?

Pode Apostar!

Quando?

De 30 de outubro a 15 de novembro de 2009, sextas-feiras e sábados às 21h e domingos às 20h

Onde?

Centro Cultural Banco do Brasil

Quanto?

R$ 14 (inteira) / R$ 7,50 (meia)

Fala mais!

Série de espetáculos com talentos emergentes da música brasileira de estilos diferentes, o Pode Apostar! Oferece ao público a oportunidade de contato com uma geração de jovens artistas e contribui para a difusão de novos nomes da música a todos os segmentos da sociedade. A programação é uma mostra da diversidade de gêneros, sotaques e personalidades da nossa rica música.

Nós do O que fazer na Capital marcamos presença em alguns shows. O Projeto é um sucesso! Uma excelente oportunidade para público brasiliense interessado em escutar música de qualidade por um preço, no mínimo, acessível.


PROGRAMAÇÃO

30/10 – Mariana Aydar
31/10 – Rodrigo Campos
01/11 – Nina Becker
06/11 – Fino Coletivo
07/01 – Rodrigo Maranhão
08/11 – Marina de La Riva
13/11 – Marcelo Jeneci
14/11 – Curumin
15/11 – Silvia Machete


TEATRO

O que?

De volta aos anos 90

Quando?

De 7 a 15 de novembro de 2009, sábados às 21h e domingos às 20h

Onde?

Teatro dos Bancários

Quanto?

R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)

Fala mais!

O espetáculo convida a platéia a viajar no tempo. Com uma estrutura inovadora para o gênero, a peça conta com esquetes, músicas ao vivo executadas pelos próprios atores e pelo músico convidado George Costa, paródias e coreografias escrachadas dos piores sucessos da década, quadros-surto de humor surpreendente, trechos de stand up e tudo com o humor ágil e inteligente dos quatro atores.




Noite de reggae e papo animado com Jacob Hemphill

Rogerio Verçoza

Em turnê pelo Brasil para a divulgação de seu mais recente álbum, Born in Babylon, o vocalista do Soldiers of Jah Army (SOJA), Jacob Hemphill, gentilmente concedeu uma descontraída entrevista após o show realizado aqui em Brasília no dia 8 de novembro.
Além do reggae fortemente influenciado Bob Marley, Jacob conta que a banda inclui em suas músicas elementos do rock e do hip-hop. Importantes bandas da cena hardcore/punk como Bad Brains e Minor Threat, que assim como o SOJA surgiram em Washington, marcaram a trajetória de Jacob. Entretanto, ele cita Ben Harper, Jack Johnson e Paul Simon como referências consideráveis para suas composições. Jacob acredita que é interessante unir elementos de diferentes estilos musicais para que se possam fazer boas canções.
Esta é a terceira vez que o SOJA excursiona pelo Brasil, país que Jacob considera como sua “terceira casa”, depois de Washington (EUA) e do Havaí, onde a banda gravou seu último DVD, Live in Hawaii. Sobre música brasileira, o vocalista do SOJA revela admiração pela banda de reggae maranhense Tribo de Jah, que inclusive já se apresentou na capital dos Estados Unidos, e lembra carinhosamente dos cariocas do Ponto de Equilíbrio, que havia tocado com eles na noite anterior em Salvador.
Para Jacob, a música tem o poder de mudar as pessoas e, embora aprecie estilos musicais diversos, acredita que o reggae possui uma maneira especial de transmitir mensagens, inclusive políticas. Uma vez que o conteúdo das emissoras de rádio e de TV são questionáveis, o vocalista do SOJA defende o poder de transformação que uma canção pode causar.
E por falar em política, quando perguntado sobre o governo Obama, Jacob ressalta o fato de se tratar do primeiro presidente negro na história dos Estados Unidos. Não se sabe, na opinião dele, se os sistemas de segurança e de saúde irão funcionar, mas defende que esta mudança nos rumos políticos norte-americanos pode ter sido o primeiro passo.
Sorridente, Jacob se despediu depois de nos presentear com uma cópia do DVD Live in Hawaii e entrou na van que levaria a banda ao hotel para um merecido descanso após o show que durou aproximadamente uma hora e 30 minutos na Capital Federal.
Confira abaixo o vídeo que contém a entrevista com Jacob Hemphill. Meus sinceros agradecimentos a André Bonifácio, cinegrafista, e Samya Alves e Victor Mayer, tradutores.




Escritor brasiliense homenageia em livro


Kleyton Almeida


João Almino, escritor brasiliense, lança seus livros em intervalos de sete em sete anos. Mas para comemorar deixou de lado sua rotina e está lançando um livro homenageando Brasília, que fará 50 anos em 2010.Seu livro traz no enredo a história da nova capital, baseada em lembranças de antigos moradores do período entre 1956 a 1960, candangos como o escritor se expressa.
A história acontece na primeira cidade-satélite do Distrito Federal, a Cidade Livre, criada provisoriamente para abrigar trabalhadores das construções e que, mais tarde, daria origem ao Núcleo Bandeirante. O enredo se passa antes da inauguração e contém elementos históricos. ”Como sempre, há algum personagem que migra de um livro para o outro. Mas, também como ocorreu nos anteriores, esse personagem é visto de um ângulo novo”, comenta o escritor. Ele escreve a mais de 22 anos e sempre fala em suas obras sobre o cenário do Brasil e o cotidiano do povo brasileiro.
O livro será lançado em abril junto com o aniversário de Brasília. O nome do livro, uma publicação da Editora Saraiva, ainda está sendo analisado pelo autor, que promete surpreender seus leitores.